Diário de voluntária – Retornando 

Depois de um longo período afastada dos hospitais, eu vesti hoje minha personagem e na cia de um veterano da ONG voltei para a atuação como doutora palhaço.

Entre idas e vindas do trabalho voluntário nos hospitais, seja por estudo, distância ou outros dilemas pessoais, esse ano completo três anos de missão.

Quando eu comecei lá em 2013, logo depois que acabei a faculdade, eu achava bonito o trabalho dos Doutores da Alegria e também a história do Patch Adams e isso me motivou.

Claro que é muito mais, descobri depois, e  redescobri hoje. Visitamos quatro andares de um hospital de transplantes. No sexto andar era de cirurgia geral, no quinto transplante de rim, no quarto transplante de fígado e no terceiro era a oncologia.

Quando passava nos quartos (entre o sexto e o quarto andar) eu dizia aos pacientes que eu iria voltar dentro de algumas semanas, e o hospital era como um banco imobiliário, então se eu visse aquele paciente de novo ele iria acumular mais uma casinha e precisaria pagar uma quantia “simbólica” de R$800,00 e por isso eu não queria ver ninguém de novo. A não ser que fosse na sua própria casa pra eu poder ir comer bolo de fuba com café.

Na descida pelas escadas para o terceiro andar (último da visita de hoje), o Paulo – minha dupla – me disse que na oncologia era fácil reconhecer os pacientes pois eles passavam meses fazendo tratamento por lá.

Logo na entrada encontramos um grupo de pacientes sentados na recepção jogando conversa fora, só um deles não estava de cabeça raspada e por isso estava sendo zoado por não poder fazer parte do clube.

No primeiro quarto encontramos uma mulher que foi simpática e sorriu de início, até desabar e começar a chorar porque havia sido internada hoje e o filho de um ano e meio precisou ser deixado com a mãe dela.

Em outro quarto encontramos um menino de 16 anos junto da mãe, ele está no hospital a 58 dias e já havia sido internado ano passado. Mas ele estava muito otimista porque o médico garantiu que com o tratamento ele iria melhorar porque já estava progredindo. Ele estava tão otimista dizendo que não podia reclamar de nada, que chegou a ser comovente, porque apesar de parecer clichê o que vou dizer…reclamamos demais das coisas e agradecemos de menos.

Um dos pacientes estava aguardando um transplante de medula, e me cadastrar no banco de medula vai ser meu objetivo inegociável desse ano.

Mais pra frente escrevo sobre o Banco de Medula e como se cadastrar!


Se quiser saber mais sobre a ONG  que participo, é só clicar aqui: Canto Cidadão

Até a próxima,

Abraços!

2 comentários sobre “Diário de voluntária – Retornando 

  1. Que coisa boa ler seus *verdadeiros* testemunhos de vida Mayara , tão profundos em essência e que trazem uma luz para a realidades dos dias de hoje, onde parece não haver amor … Mas sim, há e muito! Que bom seu retorno, que bom suas escolhas, que bom acompanhar seu caminho. Paz, luz e uma infinidade de boas coisas a cada dia na sua vida e rotina diária, e que continue nos encantando nos detalhes que você não deixa escapar e a essencialidade reside nos detalhes. É disso que o mundo precisa! Sonhadores empenhados e que realizam. O mundo agradece ! Um beijo Blog Mara!

    Curtido por 1 pessoa

    • Que bom ler isso Mi!! Vou me empenhar ainda mais nos detalhes, é o que mais gosto quando escolho um livro 🙂
      Vou continuar sim, esse retorno teve um novo sentindo e acho que compartilhar é o mínimo que posso fazer.
      Se tiver dicas ou sugestões de matéria fica a vontade!
      Grande beijo! 😘❤️

      Curtir

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