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O trabalho voluntário e a vida profissional


Uma vez durante um treinamento para um trabalho voluntário lúdico em hospitais, fizemos uma atividade muito interessante e simples que consistia em se dividir em duplas, e ao sinal dado pelo orientador apenas um começava a falar sobre o que ele quisesse, a sua dupla poderia apenas ouvir, e não falar nada. Passados alguns minutos o orientador dava um sinal e a situação se invertia, quem começou falando passava a ser o ouvinte e vice e versa.

Eu comecei a atividade como ouvinte, e o mais engraçado é que eu lembro claramente de ficar com os olhos quase cheios de lágrimas por querer fazer perguntas enquanto a minha dupla falava, e tendo de me conter para respeitar a atividade. No final do exercício o orientador nos disse que o objetivo principal dessa atividade era nos fazer lembrar e aprender a ouvir. Afinal, ele disse, quantas vezes durante uma conversa você deixa de prestar atenção no que a outra pessoa está dizendo e fica apenas esperando o momento dela respirar para dizer o seu ponto de vista?


Eu consegui lembrar no momento de inúmeras vezes que fiz isso, e depois dessa atividade nunca mais esqueci. E sempre que disperso durante um diálogo, uma reunião, nos grupos de trabalho ou até na minha vida pessoal, busco me monitorar e voltar para o presente, e respeitar o momento da outra pessoa.

A questão que mais vejo a respeito do trabalho voluntário, é que além da razão que te moveu para ajudar aquela causa específica, você sempre trás mais consigo do que levou para ajudar. E isso não é somente na questão clichê por si só, mas o doar o seu tempo (tempo que é raro hoje em dia) te traz também grandes aprendizados se a eles você estiver atento.

O trabalho voluntário não é de menor responsabilidade por não ser remunerado, e por ele requerer a mesma responsabilidade, a dedicação precisa vir ainda mais de dentro, a empatia e a paciência são testadas, e você aprende a conviver com pessoas que diferente dos seus colegas de trabalho, não tem tanto uma “obrigação” de cordialidade com você.

Eu nunca enxerguei o trabalho voluntário como caridade, mas passei a enxergar como um curso pago não com dinheiro mais com o meu tempo. E há algum tempo grandes empresas passaram a valorizar mais profissionais com experiências em voluntariado, por conta de políticas de responsabilidade social e de sustentabilidade. Mas também por enxergarem esses profissionais com habilidades de flexibilidade e jogo de cintura.

Se você está começando sua carreira profissional, é importante ter consciência de que o mercado está mudando e buscando não somente profissionais com uma grade curricular de determinado curso que se encaixa ao perfil da vaga, mas em como esse candidato pode provar que está apto para exercer essa função baseado em diversas formas de aprendizado adquiridos. Se você já está a mais tempo no mercado de trabalho, o trabalho voluntário pode te dar a oportunidade de sair da zona de conforto, conhecendo novas pessoas, novos processos e expandindo suas possibilidades.

Se o mundo está em constante movimento, porque você ficaria parado?





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