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Você tem fome de quê?


De Novembro a Dezembro do ano passado eu tive a oportunidade de voltar pra África do Sul a trabalho, pra quem é a primeira vez que lê o blog…da uma olhada em como foi a minha primeira vez nesse texto: Não viaje para a África do Sul.

Fui para Cape Town com dois colegas do trabalho e fiquei lá um total de 3 semanas. Ficamos hospedados em um hotel do lado de um cassino, e em uma das noites meus dois colegas estavam descansando no bar do hotel quando fizeram amizade com um homem que é de algum país no norte da África (e que eu não me lembro o nome 😦 ) e estava em Cape Town a trabalho. Eu desci para irmos jantar igual o combinado e fiz amizade com esse homem também. Como ele foi bastante simpático, eu o convidei pra jantar com nós três no cassino e ele aceitou de prontidão.

Fomos para um restaurante meio fast food, e conversando ele contou que a empresa que ele trabalha faz projetos que leva água para regiões onde a população não tem acesso a água. Nesse meio tempo fizemos os pedidos, e meu olho maior que a barriga me fez pedir nachos além do prato principal que eu havia pedido.

Quando fomos pagar a conta, a garçonete me perguntou se eu queria embrulhar para viagem o resto do nachos que havia ficado no prato…e como eu estava hospedada em um hotel e sem geladeira, acabei dizendo que não.

Nisso o homem que estava nos acompanhando no jantar me olhou bem nos olhos e disse: Como você consegue vir para o país mais pobre do mundo e jogar comida fora? Você pagou por isso. Se não quiser comer, pode pegar e entregar para alguém no semafáro, com certeza isso vai fazer a diferença para quem esta sem saber quando será sua próxima refeição.

Eu respondi que estava em um hotel, e que por isso não havia pensado em levar. E enquanto eu dizia isso ele não parava de me olhar com os olhos gigantes e brilhantes que me fizeram travar os dentes. Abaixei a cabeça envergonhada e pedi para o garçom embrulhar para viagem. Ele disse ao garçom que eu iria entregar a comida para quem estivesse com fome, o garçom sorriu, e eu não consegui sorrir de volta por ainda estar envergonhada.

IMG_3040 (1)

Foto do que eu ia ter coragem de jogar no lixo.

Você pode estar pensando que isso é uma besteira, que se você jogar comida fora não vai mudar em nada a vida de quem já não tem o que comer. Mas uma forma diferente de pensar, é se colocar no lugar da outra pessoa. E se fosse você que estivesse com fome? Não gostaria que alguém te ajudasse mesmo com um pouco? E mesmo que seja difícil de ajudar, ter empatia e imaginar que o que você esta desperdiçando poderia ser a refeição de uma família…esse pensamento talvez possa ajudar o mundo a se tornar um lugar melhor.

Li uma frase essa semana que dizia mais ou menos assim: “Se você acha que dinheiro não traz felicidade, experimente ajudar quem precisa”.

Se você também quiser fazer algo além de mudar as atitudes no dia a dia (o que já é importante), tem alguns links abaixo que podem ajudar diretamente outras pessoas. Parafraseando Angelina Jolie (hoje é o dia das frases rs) “O mundo precisa de atitudes, não de opiniões. Opinião nenhuma mata fome ou cura doença”.

LINKS ÚTEIS:

  • Free Rice, escrevi um texto falando sobre como brincando e aprendendo inglês você pode ajudar a matar a fome do mundo. Clique aqui.
  • Ação voluntária da Ong Canto Cidadão, as inscrições vão até o dia 29 de Abril de 2016. Para saber mais e se cadastrar, Clique aqui.
  • Nesse outro texto eu falo sobre como ajudar as crianças refugiadas, para saber mais Clique aqui.
  • Sabe aquele filme “Redenção”? Se passa no norte da África e a história é real. Escrevi também aqui no blog sobre como ajudar! Clique aqui.

 

Conforme eu for lembrando e pesquisando mais instituições e meios de ajudar eu adiciono a esse texto!

Ficou alguma dúvida ou sugestão? Me escreve!

Abraços :o)

 

 

 

2 Comments »

  1. Sou extremamente preconceituoso em situações como essa.
    Claro que tomando como base as localidades onde vivi, mas sempre achei (e acho) muito estranho um ser humano que não conseguiu desenvolver sequer 1 relacionamento na vida em que não pudesse se apoiar, ou pedir ajuda.
    Só me permito ajudar crianças, mas de resto sempre penso “Por que esse cara tá na rua passando fome e frio? O que ele fez no seu passado? De onde ou de quem está fugindo? Por que não passou por sua vida ninguém que pudesse ajudá-lo?”
    É um ponto em que eu devia melhorar muito, mas não sei se consigo.
    Já meu filho mais novo é o oposto: sempre ajuda com o que tem àquele que solicita! O “pior” é que até sinto orgulho do que ele faz, e mesmo assim não sou capaz de reproduzir! Estranho não!?!

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi Marcio! Obrigada pelo comentário!
      É realmente um dilema mesmo. Eu lembro de uma vez que estava em São José com a minha mãe (há muito tempo atrás) e paramos no semáforo do Habibs e vimos que um jovem se aproximava pra pedir algo. Nesse momento minha mãe me disse: “Eu não sei se consigo ajudar, mas Deus vai mandar alguém que possa”. É nessa hora eu disse pra ela: “E se você era a pessoa que Deus estava enviando?”

      Não entenda isso como exemplo religioso rs só lembrei dessa história lendo seu comentário.

      Acontece que também passo por esse dilema. Como saber se a pessoa não vai vender o que você der pra ela? Dinheiro então! A confiança vai lá embaixo.

      Mas a respeito desse texto…é com relação à comida que você já tem (e que está em boas condições é claro) e que você vai jogar fora! Que seja pra uma criança então…mas desperdício é muito triste.
      Ou, fazer o suficiente pra não sobrar.

      A gente não sabe o que levou uma pessoa a ficar sem teto, mas não consigo imaginar o que é viver com o barulho de trânsito na cabeça, não ter onde dormir. Já li histórias de gente que perdeu a memória, que sofreu com sua família desde criança e a rua foi a única opção. Pessoas que já nasceram nessa condição. Enfim…vai saber o que aconteceu na vida de uma pessoa pra ela chegar no fundo do poço.
      O exercício é somente se colocar no lugar daquela pessoa. Se eu estivesse com fome, iria ficar feliz em receber um prato de comida?
      Às vezes é disso que a pessoa precisa, alguém que estenda a mão mesmo que por um breve momento. Talvez foi isso que faltou pra que ela não estivesse nessas condições.

      Acho que escrevi demais rs

      Abraços!

      Curtir

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