Permaneça ou saia da chuva 

Outro dia recebi uma mensagem de um amigo contando sobre como a percepção dele mudou quando saiu do ótimo bairro que morava em São Paulo para resolver um problema pessoal no centro da cidade, as pessoas, a pressa, a poluição visual, tudo isso o fez pensar que se na cabeça dele que é adulto as vezes acaba se esquecendo que nem todos têm as mesmas oportunidades ou possibilidade de viver da mesma forma, quem dirá na cabeça dos seus filhos pequenos que ainda estão em processo de formação.

Isso surgiu de uma conversa sobre o que realmente importa, e o que realmente acreditamos ser essencial na nossa vida. E me fez pensar em como constantemente subestimamos a nossa vida e a nossa existência, vivendo geralmente insatisfeitos com o que temos, mirando sempre para cima em um ideal de vida perfeita que criamos em nosso inconsciente e deixando de olhar para os lados, e entender que talvez a nossa vida imperfeita é o objetivo ou sonho de muitos que não enxergamos.

Voltando alguns anos na sua vida dá pra lembrar de todos os finais felizes de filmes que crescemos assistindo, onde os mocinhos sofrem na trama inteira e no final vencem triunfantes em cima de vilões com inteligência geralmente duvidosa. Hoje não somente nos filmes, mas a mesma frustração acontece quando olhamos as redes sociais de vidas perfeitas, com viagens, sorrisos e felicidade constante.

Talvez uma das grandes frustrações da nova geração seja a quantidade gigante de mensagens, livros e vídeos motivadores falando sobre romper com os padrões de forma de viver do passado levando a acreditar que tudo funciona de forma muito simples. Não está satisfeito com o trabalho? Abandone tudo e seja feliz! Mude de país, de a volta ao mundo, e quando voltar tudo vai se encaixar facilmente.

Não estou dizendo que isso não é possível, claro que é e conheço bastante gente que já fez isso. Mas requer muito esforço, não é simples como em um filme ou um livro do Nicholas Sparks, e uma vez tomada a decisão tem que seguir ela como se tivesse sido sua única alternativa. Uma vez ouvi de um amigo Sul-Africano que você tem que viver a sua vida como se cada dia fosse o último, mas também precisa planejar a sua vida como se fosse viver mais 100 anos. E talvez isso não esteja tão claro para todos, e se não estiver claro a frustração de se arrepender de ter feito pode ser até maior da frustração de não ter seguido o seu desejo.

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Guia de como sobreviver a ciladas durante a sua viagem

Viajar é algo incrível, você vai um e volta outro, conhece pessoas do mundo todo, experimenta diferentes sabores e sensações, sai da zona de conforto e quando volta percebe que isso era tudo o que você mais precisava. No entanto, algumas atitudes são importantes para você não deixar de aproveitar a viagem por estar em apuros.

Não estou dizendo que você deve levar a ferro e fogo todo aquele terrorismo que a sua mãe faz antes de você sair de casa, e não importa a idade que você tenha.

“Não esqueceu de nada?” “Com quem você vai?””Toma cuidado!”

Pode parecer exagero (e muitas vezes é), mas algumas coisas ruins já aconteceram comigo e com amigos próximos justamente por ter o pensamento de que quando se está viajando tudo é perfeito e só existem pessoas boas e na mesma vibe. Também não precisa ficar paranóico e não querer ficar em hostel ou beber uma cerveja num bar local, mas é bom tomar algumas precauções.

Por isso depois de muito ler dicas variadas de viagem e experiências próprias, decidi criar um ultra guia de como sobreviver a ciladas em uma viagem! Abaixo as principais:

 

  1. TIRE FOTOS DOS SEUS DOCUMENTOS

Além daquela boa e velha cópia dos seus documentos impressa, tire fotos dos seus documentos (passaporte, carteirinha de vacina, cartões, visto, RG…) e envie para o seu e-mail pessoal e para o e-mail de alguém próximo.

Assim no pior dos casos e você perder tudo, de qualquer computador você consegue o básico de documentação para procurar o consulado ou até mesmo a polícia.

DICA: Alguns hotéis podem querer segurar o seu passaporte na recepção, nunca se afaste do seu passaporte e se você não se sentir confortável, procure outro hotel.

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Diário de voluntária -Desistir

Prometi que escreveria sempre que fosse fazer uma visita no hospital onde sou voluntária, mas dessa vez demorei um pouco pra conseguir colocar em palavras a experiência que tive no último dia 30.

Foi um dia super cansativo no trabalho, eu estava responsável por um evento que a custo de bastante esforço e uma noite anterior mal dormida, foi um sucesso. Mas por conta disso saí do trabalho as 18h sendo que precisava estar no hospital as 19h. Parece tempo suficiente, mas não quando se mora na capital do transito no país – São Paulo. Fui correndo pra casa, arrumei minhas coisas e fui pro hospital mesmo um tanto exausta.

Chegando lá o Paulo (que é a minha dupla no hospital) estava com outra doutora voluntária que atende com ele outros dias da semana e que nesse dia iria atender com nós dois. Depois de atender nos andares de Clínica cirúrgica, transplante de rim e de fígado ficamos num impasse de ir para a UTI ou para a Oncologia.

A outra doutora voluntária queria seguir o plano tradicional de ir para a Oncologia, mas no último atendimento que eu o Paulo fizemos…prometemos para a responsável pela UTI que iríamos passar lá todo mês (você pode ler sobre esse episódio clicando aqui), e então seguimos para a UTI.

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Você vai ser esquecido 

Outro dia em meio a algumas reflexões me dei conta de que me lembro dos meus avós é claro, mas não tenho recordações dos meus bisavós.

Isso me fez pensar que daqui a algum tempo quando minha mãe e meus tios se forem, a memória dos meus bisavós, suas histórias, angústias, conquistas e arrependimentos serão esquecidos. Isso significa que se somar algumas memórias… duramos nessa vida cerca de 2 ou 3 gerações antes de virarmos pessoas estranhas em fotos amareladas.

A não ser que você seja o próximo Nelson Mandela, Gandhi ou o Papa, você vai ser esquecido. E isso não significa que você não é importante, mas precisa entender que não é imortal.  Continuar lendo

Coisas que aprendi viajando

Viajar pode expandir seus horizontes não só físicos mas também pessoais. Você sai um e volta outro, e esse é o clichê mais real que conheço. Muito do que sou hoje construi e destrui viajando, e uma vez li uma frase que me marcou muito e dizia que o desejo pode ferrar com a sua vida. E por mais duro que seja querer muito uma coisa, as pessoas que mais sofrem são aquelas que sequer sabem o que querem.

E o que eu quero? É basicamente simples, é estar feliz. E esse é um caminho looongo e que exige muitas escolhas, que exigem muitas decisões, e agora vem a parte boa – leia com atenção – a única coisa que importa é a história que você esta escrevendo hoje.

“Há dois erros que podemos cometer no caminho para a verdade. – não percorre-lo até o fim, e não inicia-lo.”

Fiz uma lista das 6 principais coisas que eu aprendi viajando, segue abaixo:

1. Você aprende muito sobre a vida

Não existe melhor professor do que sair da sua zona de conforto. Você de repente esta perdido em outro país sem conhecer o idioma e precisando confiar nas pessoas, de repente você sente medo de entregar a passagem de avião porque não da mais pra voltar atrás, e perder o controle disso te assusta mais que qualquer filme de terror. E de repente, no final de tudo, você se da conta de não quer ser lembrado pelo que construiu mas sim pelo que sentiu na sua vida.

 

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Nascer do sol em Cape Town – 2013

 

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Diário de voluntária – Equipe médica 

Quando eu decidi criar um diário com as experiências do trabalho voluntário no hospital, pensei em escrever algo sempre depois de ir fazer as visitas no hospital. O que vem ocorrendo mensalmente.

O dia de hoje começou bem tranquilo, tão tranquilo que cheguei a pensar em não escrever nada hoje. Costumo atender no hospital às terças, porém nessa semana meu dupla teve um compromisso e por isso fomos na quarta. Devido a isso, encontramos outra dupla de voluntários da mesma ONG e combinamos de cada dupla ficar com um número respectivo de andares.

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Dia internacional Nelson Mandela – Aja e inspire mudança 

Hoje é o Dia Internacional Nelson Mandela.

A data é uma oportunidade para refletir sobre a vida e a obra de um ícone que aborda os mais altos valores da humanidade.
Neste ano, o tema da PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) é “aja e inspire mudança”. O que você tem feito para melhorar o mundo?


O Dia internacional de Nelson Mandela foi lançado em 2009 por decisão unânime da Assembléia Geral da ONU em reconhecimento ao aniversario de Nelson Mandela em 18 de julho.  Continuar lendo

Diário de voluntária – Retornando 

Depois de um longo período afastada dos hospitais, eu vesti hoje minha personagem e na cia de um veterano da ONG voltei para a atuação como doutora palhaço.

Entre idas e vindas do trabalho voluntário nos hospitais, seja por estudo, distância ou outros dilemas pessoais, esse ano completo três anos de missão.

Quando eu comecei lá em 2013, logo depois que acabei a faculdade, eu achava bonito o trabalho dos Doutores da Alegria e também a história do Patch Adams e isso me motivou.

Claro que é muito mais, descobri depois, e  redescobri hoje. Visitamos quatro andares de um hospital de transplantes. No sexto andar era de cirurgia geral, no quinto transplante de rim, no quarto transplante de fígado e no terceiro era a oncologia.

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